Qualidade do ar em ambientes corporativos ganha protagonismo e impacta produtividade nas empresas
A qualidade do ar em ambientes corporativos passou a ocupar um espaço estratégico dentro das organizações. Antes tratada como uma questão técnica ligada apenas à climatização, hoje é reconhecida como um fator diretamente relacionado à saúde, ao bem-estar e à produtividade dos colaboradores.
Em escritórios e espaços fechados, sem janelas que possam ser abertas, onde profissionais passam grande parte do dia, o ar pode concentrar poluentes invisíveis, como dióxido de carbono (CO₂), partículas em suspensão, fungos, bactérias e compostos orgânicos voláteis. Quando não há controle adequado, esses elementos afetam o organismo, provocando sintomas como dores de cabeça, fadiga, irritação nos olhos e dificuldade de concentração.
A má qualidade do ar também contribui para o aumento de afastamentos e queda na eficiência das equipes. Em muitos casos, os sintomas são associados ao estresse ou à rotina intensa de trabalho, quando, na prática, estão ligados ao ambiente. Esse fenômeno é conhecido como “Síndrome do Edifício Doente” e tem sido cada vez mais observado em centros corporativos.
Além dos efeitos sobre a saúde, o tema ganha relevância no contexto da gestão e desenvolvimento humano. Salas bem ventiladas, com controle adequado de temperatura, umidade e renovação do ar, tendem a proporcionar maior conforto e melhorar a interação social. Como consequência, há reflexos positivos na produtividade, no engajamento e na retenção de talentos.
“O ar-condicionado garante conforto térmico, mas a climatização completa depende também da renovação de ar. Em ambientes fechados, o acúmulo de CO₂ impacta diretamente a concentração, o bem-estar e a produtividade das pessoas. Por isso, é fundamental que os espaços contem com sistemas adequados de renovação e qualidade do ar”, explica Rodrigo Wommer, engenheiro mecânico e gerente da assistência da Denteck.
No Brasil, a preocupação com a qualidade do ar interno também é respaldada por legislação. A Lei nº 13.589 de 2018 estabelece a obrigatoriedade do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) para sistemas de climatização em edifícios de uso coletivo. A medida visa garantir condições adequadas de higiene e segurança, prevenindo riscos à saúde dos ocupantes.
Na prática, isso exige das empresas não apenas a instalação de sistemas de ar condicionado, mas a manutenção contínua dos aparelhos e o acompanhamento da qualidade do ar.
A tendência é que a saúde do ar se consolide como um dos pilares na gestão corporativa, especialmente diante do avanço das pautas relacionadas ao bem-estar ocupacional e às práticas de ESG.
